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terça-feira, 3 de agosto de 2010

REPORTAGEM SOBRE MANOEL BERNARDINO

Manoel Bernardino: um herói socialista, espírita e vegetariano.

(FOTO: MANOEL BERNARDINO)



Conhecido primitivamente como Mata do Nascimento, nome que fazia referência ao seu primeiro povoador, o lavrador Manoel Nascimento – que chegou ao lugar por volta de 1915–, o município de Dom Pedro detém o privilégio de ter sido a terra adotada por um dos homens mais peculiares que já viveram no território maranhense: Manoel Bernardino de Oliveira.

Avesso a injustiças, o lavrador cearense Manoel, por sua história – às vezes recheada de lendas, criadas pelo imaginário popular – de combate aos poderosos, tornou-se um dos homens mais respeitados da Mata, onde se estabeleceu em 1916.


Sua principal luta era contra os fazendeiros endinheirados de Codó, que na época mandavam e desmandavam na região em que hoje situam-se os municípios de Dom Pedro, Presidente Dutra (antigo Curador), Santo Antonio dos Lopes, Governador Archer, Governador Eugênio Barros e Gonçalves Dias, entre outros.

Para enfrentar a prepotência dos coronéis e defender pessoas humildes das injustiças perpetradas por eles, não foram raras as vezes que Manoel se armou e cercou-se de homens que o veneravam, atitudes que atraíam a ira dos fazendeiros.

Chamado de “Lênin do Maranhão”, por sua identificação com as ideias socialistas pregadas na época pelos revolucionários russos – principalmente Vladimir Ilich Lênin –, Manoel Bernardino também era leitor das obras de Allan Kardec (pseudônimo do professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, primeiro difusor da doutrina espírita).

Fuzilamentos na Mata – Os ideais revolucionários de Manoel Bernardino, sua liderança entre os lavradores humildes da Mata e sua oposição ostensiva ao governador maranhense de então, Urbano Santos, assustaram o poder dominante, que em 1921 enviou para a Mata do Nascimento um contingente de 600 homens, chefiados pelo tenente Antonio Henrique Dias.

O objetivo da ação era impor respeito pela força das armas. O tenente e seus homens chegaram à Mata em 5 de agosto de 1921. Não encontrando Manoel Bernardino – que havia se deslocado a Codó para buscar apoio político e militar –, fizeram dezenas de prisioneiros. Antes de deixar a Mata, “para dar o exemplo”, fuzilaram quatro lavradores: Adão, Francisco, Maurício e Avelino. O tenente e os militares que participaram da missão foram julgados e absolvidos.

Adesão à Coluna Prestes – Em 1925, Manoel Bernardino e os perto de duzentos homens que o seguiam se juntaram à Coluna Prestes. O movimento, liderado por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, percorreu o interior do Brasil e além fronteira, de 1925 a 1927, pregando o fim da República Velha, exigindo o voto secreto e defendendo o ensino público e a obrigatoriedade do ensino primário para toda população. No Maranhão, a Coluna chegou a ocupar 26 dos municípios então existentes.

A Coluna se dispersou em 1927 – o grupo chefiado por Prestes em Gaíba, na Bolívia, e o liderado por Miguel Costa em Libres, na Argentina (ambas cidades próximas à fronteira com o Brasil). O movimento não conseguiu fazer a “revolução” que desejava, mas sua ação ajudou a abalar ainda mais o prestígio da República Velha e a preparar a Revolução de 1930.

Projetou também a figura de Luís Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, que posteriormente entrou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), tornando-se um mito.

Assim que abandonou a Coluna Prestes, em 1926, por achar que ela deveria permanecer no Maranhão, o que contrariava seu caráter itinerante, Manoel Bernardino se estabeleceu por algum tempo no Ceará, voltando ao Maranhão (Mata do Nascimento) em 1929. Então, além de socialista e espírita, também havia se tornado vegetariano – o que era considerado uma excentricidade pelos sertanejos que o conheciam, acostumados a se alimentar, no dia a dia, de carne de gado, caprinos, suínos, aves e caça. Nem leite ele bebia. Dizia que o leite era o “sangue da vaca”.

Um anjo na Mata – Contam alguns que quando voltou à Mata do Nascimento, Manoel Bernardino também deixou cabelos e barba crescerem. Também confeccionou um par de asas e uma cruz.

Carregando a cruz e com as asas presas às costas, Manoel saía perambulando pelos lugarejos próximos, penitenciando-se pelos males que acreditava haver feito a algumas pessoas.

Manoel Bernardino morreu em 17 de janeiro de 1942, aos 60 anos, numa casa como as que abrigam ainda hoje muitos maranhenses – de taipa, telhado de palha e chão batido. Foi enterrado como sempre pedira: sem caixão, apenas coberto por um lençol.
fonte: Jornal Pequeno/São Luis
link:

http://www.jornalpequeno.com.br/2010/8/1/manoel-bernardino-um-heroi-socialista-espirita-e-vegetariano-126539.htm

segunda-feira, 7 de maio de 2007

DOM PEDRO: A CIDADE QUE MANOEL BERNARDINO CRIOU!



HINO DE DOM PEDRO (INTERPRETAÇÃO)

Nasceste entre belezas naturais
Com teu resplendor tão relutante,
Sob um lindo céu de azul constante
E verdes matas de babaçuais

Teu povo em luta trouxe a ti a glória,
Empunhando a bandeira da Libertação
Com coragem e orgulho
Te proclamaram cidade do Maranhão

Dom Pedro, Dom Pedro, Dom Pedro,
Antiga Mata do Nascimento,
Tua história, tuas lutas, tuas glória,
O teu povo guarda sempre na memória

Dom Pedro, Dom Pedro, Dom Pedro,
Esperança de um grande povir,
Berço amado e varonil,
Do nosso Maranhão e do Brasil

A 1ª estrofe fala das belezas naturais que DOM PEDRO tinha quando ainda se chamava "Mata do Nascimento", inclusive as matas de BABAÇUAIS que têm na região.No começo, Dom Pedro era um distrito da cidade de CODÓ.
A 2ª estrofe fala da luta que tivemos para alcançar a liberdade de Codó e ser uma nova cidade no Maranhão.
A 3ª estrofe fala do primeiro nome da cidade, que era Mata do Nascimento, e que ninguém esquecerá sua história e suas glórias. Também o autor nessa estrofe deixa esperanças para um futuro melhor para a cidade




RESUMO SOBRE A HISTORIA DE DOM PEDRO




A progressista cidade de Dom Pedro, situada na Região de Presidente Dutra, com mais 14 municípios, que totalizamaquela região maranhense, possui uma área, segundo as mais atualizadas estatísticas do IBGE de 369,964 km², habitados por 23.100 habitantes, com uma densidade demográfica de 62,44 habitantes por quilômetros quadrados.

Seu primeiro nome foi Mata do Nascimento, em homenagem ao seu primeiro habitante, quando ainda fazia parte do território codoense, ter sido Manoel Nascimento por volta de 1915. Através da Lei nº 815, de 9 de dezembro de 1952 foi desmembrada do município de Codó e se instalou solenemente como cidade em 1º de janeiro de 1953.

Dentre os capítulos históricos do valoroso povo de Dom Pedro é marcado um dos mais dolorosos atos de covardia e abuso de poder, acontecidos em seu território, que foi o famoso movimento de Manuel Bernardino de 1922, quando o citado lavrador liderando um considerável grupo de seus companheiros camponeses, dirigiu-se à chefia da Administração Municipal, em Codó, e pleitearam a criação de um colégio para os seus filhos, os quais não tinham opções de estudar. Apesar de ordeiramente terem feito por demais justo pleito. Não foram, porém, compreendidos. Para enorme surpresa e decepção de toda população da antiga Mata do Nascimento, foram-lhes atribuídas, unicamente, censuras por demais violentas e ameaças sinistras.
Com esta inesperada reação das autoridades municipais codoenses os lavradores reagiram e passaram a protestar, mesmo, ofendidos, agiram sem violência. Entretanto, os dirigentes municipais solicitaram, urgentemente, ao Governo do Estado uma força volante da Polícia Militar para acabar com tal movimento e imediatamente o Governo mandou a tal tropa sob o comando do tenente Henrique Dias, com ordens por demais violentas.
O comandante executou ao pé da letra o que lhe foi determinado fazer no Centro da Mata do Nascimento.
Foi uma verdadeira carnificina, a força volante fuzilou sem dó ou piedade centenas de indefesos lavradores o sangue de inocentes camponeses serviu para alicerçar a independência, emancipação da sua urbe. Mesmo assim, somente em 1928, foi criada a primeira escola municipal, tendo a gleba a sua primeiríssima professora, que foi a professora Guilhermina Chaves. Em 1931, a gleba da Mata do Nascimento foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Pedro II. Em 1943, por Decreto-lei federal foi proibida a existência de dois topônimos iguais aplicados àquela Vila, devido que no vizinho Estado do Piauí, existia uma cidade com o nome de Pedro II e ser mais antiga foi determinado que a Vila mudasse de nome.

Ficou na alçada do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a incumbência de efetuar a devida troca de nominação, que acabou a referida Casa de Cultura maranhense, sugerido e os poderes competentes, oficializando o nome da Vila como Dom Pedro, denominação, que agradou a todos os seus habitantes e foi mantida a homenagem ao imperador Pedro II.


IMPERADOR DO BRASIL - DOM PEDRO II

Em 1951, o deputado do Partido Republicano, Manoel de Oliveira Gomes, aliado ao Sr. Alcebíades de Melo Lima, líder local e com o apoio maciço da população da Vila iniciaram uma forte luta para conseguirem em 1952, a Assembléia Legislativa do Estado aprovar a lei acima citada, que transformou a Vila em município e o emancipava dos domínios codoenses.
Em 1º de janeiro de 1953 foi nomeado e empossado o seu primeiro Prefeito, Sr. Lídio Brito. Para em 31 de janeiro de 1955, ser eleito o seu primeiro Prefeito, através da escolha democrática dentre seus habitantes, que foi o Sr. Ananias de Morais Costa. Nesta mesma data, foi instalada a sua Câmara Municipal composta dos seus primeiros nove vereadores e sua Mesa Diretora foi assim constituída: Presidente – Alcebíades de Melo Lima; Primeiro Secretário – Manoel Cabral Pereira e Segundo Secretário – Jorge Fernandes da Silva.


O seu principal acidente geográfico é o rio Codozinho, com pequena profundidade não é adaptável para navegação. A sua riqueza natural é invejável com um solo por demais fértil e com imensos babaçuais. A sua população é grande parte católica, sendo a sua Santa Padroeira Nossa Senhora de Nazaré, cujo festejo é realizado anualmente de 31 de agosto a 8 de setembro, outra festa religiosa que tem destaque na cidade é de São Francisco de Assis. Sua Cultura Popular é forte, onde reluz a Dança da Mangaba, o Bumba-Boi, o Tambor-de-Mina e o Tambor-de-Crioula. No seu artesanato o Babaçu é o maior destaque, seguido da Palha e da Taboca.
Em relação a sua culinária, é diversificada com o arroz predominando, acompanhado de carne de boi, porco, caça, galinha, com dois marcantes pratos que o capão ao molho pardo e a galinha de parida. A Esperança de Vida dos dom-pedrenses, de acordo com o IPEA e a Fundação João Pinheiro é de 61,46 anos. Seguindo estas mesmas fontes, conforme o estudo do Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios Brasileiros: a Taxa de alfabetização de adultos = 69,38%; Taxa bruta de freqüência escolar = 74,81%; Renda per capita = R$ 126,85; Índice de desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M = 0,634. Esta classificação implica que a cidade de Dom Pedro é o 25º em relação aos 217 municípios maranhenses e o 4052º em comparação com os 5.561 municípios brasileiros.

O seu povo é acolhedor, hospitaleiro, tornando-se o homem dom-pedrense o maior atrativo turístico-cultural da sua cidade, aonde mora a paz e as raízes tradicionais da pacata cidadezinha da Zona Rural maranhense, onde ainda se cultiva o leite mugido, o beiju e um café torrado no caldeirão e socado num pilão caseiro. Coisas de Dom Pedro, uma das belas caras do Brasil-Maranhão!

Data de Publicação: 3 de dezembro de 2004. Jornal Pequeno - São Luis - MA
TEXTO: José Ribamar Sousa dos Reis *Membro do IHG

OS FUZILAMENTOS





(Fotos de Dom Pedro - MA)


No dia 5, ao meio dia, as tropas chegam à Matta “sem disparar um tiro”, visto não haver revolta, e começam as prisões e interrogatórios para descobrir o paradeiro de Bernardino e de seus “capangas”.
Às prisões seguem os fuzilamentos, sob ordens do Tenente Antonio Henrique Dias, dos “cangaçeiros” mais próximos de Bernardino.

No dia seguinte chegam Sebastião Gomes e seu pessoal, mais ou menos 200 homens e alguns “cangaceiros” presos, e José Pedra com mais 28 homens e alguns prisioneiros.

Segundo S. Gomes havia mais ou menos 50 prisioneiros para serem fuzilados não sendo pela intervenção sua, de José Pedra e do Tenente Taurino Lobão Lemos que convencem Dias a cessar a carnificina.

Os boatos se espalham e o Desembargador Deoclides Mourão manda um telegrama a Urbano Santos dando notícia de cem homens fuzilados, cadáveres boiando nos açudes e corpos servindo de pasto aos urubus, atrocidades indizíveis cometidas pelo Tenente Dias havendo discordância quanto ao número, não quanto ao autor.

Urbano contata o Dr. Walfredo Lira, opinião situacionista, que interroga Sebastião Gomes e confirma ao Presidente do Estado os fuzilamentos e a ação do Subdelegado para libertar outros condenados à morte.


Em depoimentos, inclusive de Maria Pereira Ramos, vulgo Maria Paca, é atribuído a Sebastião Gomes o mérito de ter salvado prisioneiros da morte mas, uma fonte oral na qual o entrevistado não autorizou sua identificação, diz ter ouvido do próprio Sebastião Gomes que a intervenção somente seria feita se os salvos se comprometessem a matar Bernardino quando este voltasse à Matta.
Diante das notícias bombásticas, que já chegaram aos jornais, Urbano Santos envia o Major Bello, que já estava em São Luís, voltar a Codó e proceder inquérito afim de verificar a “verdade”.


Bello investiga, interroga e chega à conclusão de que foram fuziladas quatro pessoas, na beira da estrada que leva à Codó, a mando do Tenente Antonio Henrique Dias.
Em depoimento, quando indagado sobre as acusações de fuzilamentos confirmadas pelo juiz e pelo Subdelegado, Dias nega ter ordenado qualquer fuzilamento ou maus-tratos aos prisioneiros e afirma ser inimigo de Sebastião Gomes e de Walfredo Lira desde 1919 quando era Delegado em Barra do Corda e um amigo de seus acusadores cometera um crime bárbaro de roubo e assassinatos e eles vieram pedir-lhe para tirar do processo o nome dele ao que Dias lhes disse que se quisessem livrá-lo que constituíssem um advogado.

Desde então tornaram-se inimigos e que, se na Matta fora cometido algum crime certamente foi por homens de Gomes que armados e bêbados atiravam a esmo.
Quem objetivamente denuncia os fuzilamentos são as praças pois o Tenente Taurino, “por espírito de coleguismo”, oculta os assassinatos do seu primeiro depoimento (sendo por essa omissão sentenciado a prisão disciplinar de quinze dias) e, embora fosse o Comandante da expedição, só tivera conhecimento do fato após a consumação visto que não tendo encontrado resistência na Matta foi à casa do seu amigo Antonio Pires e em sua ausência foram cometidos os crimes; já as praças admitem que Taurino sabia de tudo que estava acontecendo.


Há muitas contradições nos depoimentos de todos os militares quanto a um ataque que a força teria sofrido na noite do dia 5 de agosto: alguns dizem que os tiros foram respondidos pelo flanco esquerdo, outros o direito, outros por todos os flancos e outros que nem ataque houve.

Mas isto não explicaria os fuzilamentos pois os assassinados eram prisioneiros que foram levados à estrada que leva ao Codó, sob pretexto de serem levados presos àquela cidade, sem nenhuma possibilidade de reação.
Comprovado o crime, Dias é enviado a São Luís e preso no quartel da polícia militar onde é feito novo inquérito.